Do que é feita a capoeira?

A linguagem fotográfica e disposição das imagens convidam o expectador a participar de um jogo visual que recria o sentimento da malandragem e contato com o desconhecido.

A série é composta por 20 imagens e é fruto da percepção da fotógrafa sobre a capoeira. Mais do que registrar um movimento cheio de controle corporal, as fotografias buscam documentar com estética e arte, o que torna a capoeira grandiosa.

O projeto da fotografia documental nasceu da admiração e vontade da fotógrafa em trazer luz para os capoeiristas e compartilhar a riqueza cultural e humana dessa arte. Carregada de valor histórico, cultural e social, a capoeira ainda encontra resistência para ser aceita socialmente como uma prática e cultura de todas as classes sociais. A fotografia, vem para documentar e criar uma ponte entre a capoeira e as pessoas de todas as classes sociais.

Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a capoeira é uma das grandes contribuições culturais do Brasil para o mundo.

Hoje, a capoeira exerce papel fundamental no Brasil e no mundo promovendo desenvolvimento humano. É difusora da lingua portuguesa no Brasil e no exterior, onde centenas de capoeiristas cantam nossas histórias em português. É alternativa de trabalho e já deu uma segunda chance de vida para pessoas que tinham apenas no tráfico uma opção de trabalho. É patrimônio da humanidade, mas nasceu no Brasil. Valoriza a cultura popular brasileira e aderiu movimentos adjacentes como o Jongo, o Coco e a Puxada de Rede. Não tem religião e proporciona uma utopia social onde um médico aprende com um menino de periferia. Isso é cultura e humanização.

Um golpe rodado é grandioso, mas uma esquiva, em toda a sua simplicidade, salva. Coloque seus óculos: essa é a luz invisível da capoeira. E agora que você enxerga, permita-se sentir.

A série conta com 20 imagens construídas ao longo de 3 anos pela fotógrafa.

Com uma abordagem “livre”, a sequência combina distintas linguagens fotográficas com critério, permitindo a transição suave entre imagens que compartilham o mesmo espaço.

A série inicia com uma perspectiva artística e logo passa por teatro, estúdio, fotojornalismo e cenas cotidianas.

Uma das fotografias foi premiada em 2016 no concurso “Olhares Inspiradores – categoria cores verdadeiras” promovido pela CANON . A série passou por leitura de portfólio de André Cypriano em 2017 no Paraty em Foco.

A malícia, a manha e a mandinga são temas constantes quando se fala de capoeira. Elas se manifestam no sorriso que seu adversário dá durante o jogo, que diz ‘está tudo bem’, um instante antes de ele se materializar às suas costas, deixando-o totalmente vulnerável…

A disposição da série no ambiente procura despertar esse sentimento no expectador, oferecendo um aspecto acolhedor mas, ao mesmo tempo, causando uma certa inquietude. Qual o estilo do autor? Porque ele usou uma linguagem diversificada? Porque mistura cortes e enquadramentos tradicionais com ousados?

Nesta série, a malandragem está exposta além da imagem. Ela está no efeito causado no leitor.

A homogeneidade da linguagem fotográfica, que normalmente se busca a fim de comunicar a identidade de estilo do autor, é quebrada nesta série.

Aqui, essa opção visa enfatizar a diversidade cultural.

A linguagem variada reflete a característica multifacetada da capoeira e de suas raízes na cultura brasileira. Esses contrastes se fazem presentes no uso de cor vs. preto-e-branco, de luzes fortes vs. suaves, e nos traços de fotojornalismo, teatro e estúdio.

A capoeira contemporânea saiu da roda e abraçou vertentes artísticas e culturais que se somam para construir a arte que volta a se expressar dentro da roda.

Formada por muitos povos e culturas, não é preciso ir longe neste enorme país para encontrar movimentos adjacentes que se somaram à capoeira, como a roda de coco, o jongo e puxada de rede.

Esses movimentos também fazem parte das imagens que apresentam a capoeira contemporânea.

A série conta com retratos de mestre CAMISA, que em 2011 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, outorgado em 28 de maio de 2010 pelo Conselho Universitário da Universidade de Uberlândia. Indicado como personalidade eminente que contribui de modo relevante para o desenvolvimento da cultura afro – brasileira e detém valioso conhecimento sobre capoeira, Patrimônio Imaterial Brasileiro e se distingue por sua atuação cultural, social e educacional no Brasil e no exterior.